Whodunit
Nada como uma listinha de recomendações.
Dias atrás assisti na Netflix a Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out, o terceiro filme da franquia criada por Rian Johnson e protagonizada por Daniel Craig. Trata-se possivelmente do melhor da série até o momento, sendo que os outros dois filmes já contavam com minha imensa admiração (inclusive, tem crítica do primeiro no Linguagem Cinéfila). Por mim, Rian Johnson pode produzir dezenas de histórias centradas no detetive Benoit Blanc, e continuarei acompanhando como um fiel seguidor.
Mas o objetivo do post de hoje, além de recomendar fortemente que assistam ao filme, é indicar outras histórias que se encaixam de alguma forma no subgênero de “whodunit”, do qual Vivo ou Morto faz parte. O termo, para quem não sabe, pode ser traduzido como “Quem matou?”, de forma que suas histórias costumam contar com alguns elementos comuns. Entre eles: ter um crime em seu centro como ponto de partida, um detetive que o investiga nos mínimos detalhes, uma vasta lista de suspeitos, reviravoltas e, claro, a grande conclusão do tal crime.
Para não ficar apenas em filmes, reuni aqui histórias de diversas mídias.
O Fim de Sheila (The Last of Sheila, 1972)
Com um roteiro muito bem elaborado, O Fim de Sheila é um longa primoroso do gênero. Uma narrativa inteligente que mantém o espectador curioso quanto ao desenrolar da história e suas revelações, conseguindo amarrar todas suas pontas de maneira orgânica e surpreendente.
Pânico (Scream, 1996)
Cultuado desde seu lançamento há quase 30 anos, Pânico é um slasher clássico que brinca com as próprias regras do subgênero de maneira interessante. O motivo de incluí-lo nessa lista é o mistério por trás de quem usa a máscara de Ghostface, o assassino que aterroriza a protagonista Sidney Prescott (Neve Campbell, em quem tenho uma crush eterna) e a cidade de Woodsboro. E para isso contamos com uma boa lista de suspeitos até a revelação final.
Os Sete Suspeitos (Clue, 1985)
Eis o filme que teve a coragem de adaptar um jogo de tabuleiro como Detetive. Como criar uma história minimamente coesa a partir de um material onde os jogadores dizem coisas como “Foi o Coronel Mostarda, com o candelabro, na biblioteca”? E a resposta é não tentar ter muita coesão, mas sim divertir o público com as diversas possibilidades da narrativa, brincando com o subgênero do qual faz parte. Ainda temos Tim Curry em uma de suas performances mais engraçadas.
A Ceia dos Acusados (The Thin Man, 1934)
Aqui acho válido recomendar tanto o livro original de Dashiell Hammet quanto a clássica adaptação cinematográfica, ambos lançados em 1934. As histórias de detetive protagonizadas pelo casal Nick e Nora Charles são um verdadeiro deleite. Em A Ceia dos Acusados (e nas cinco continuações subsequentes), eles são interpretados por William Powell e Myrna Loy com um charme e carisma magnéticos, ao passo que o mistério que investigam prende a atenção do início ao fim.
Poker Face (2023)
Rian Johnson parece uma fábrica de boas ideias, principalmente no que diz respeito a mistérios e investigações. Se já comecei o post recomendando um de seus filmes, agora me vejo na obrigação de recomendar a série que ele criou. Protagonizada pela ótima Natasha Lyonne, Poker Face acompanha a protagonista Charlie Cale, que tem um talento peculiar de saber quando alguém está mentindo. Atravessando o país para fugir de mafiosos, ela conhece diversos personagens e pontualmente resolve casos de homicídio. E o que temos aqui é uma série extremamente divertida e envolvente em que a graça não é saber a conclusão do mistério (o culpado fica claro para o público logo no início dos episódios), mas sim saber como Charlie chegará a tal conclusão.
Os Cinco Porquinhos (Five Little Pigs, 1942)
Não poderia faltar a Rainha do Crime aqui. Os Cinco Porquinhos é um dos meus livros favoritos de Agatha Christie, na qual ela parece propor um desafio para seu detetive Hercule Poirot: solucionar um homicídio sem que ele tenha uma cena de crime para analisar, já que o crime ocorreu muitos anos antes. Assim, ele conta apenas com memórias e relatos de testemunhas. Uma trama cuja fórmula foge um pouco do padrão de outros livros da escritora, rendendo uma obra brilhante.








